Reabilitação do Equilíbrio contra tontura e vertigem

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Anote esses dois nomes: otoneurologia e reabilitação do equilíbrio. Quem está na terceira idade precisa se acostumar com esses termos. Vamos explicar! A área da medicina responsável pela saúde dos ouvidos – e também do nariz, da faringe e da laringe  – é a otorrinolaringologia. Essa especialidade possui diversas ramificações, que ajudam os profissionais a se aprofundarem em assuntos específicos.

Pouco divulgada, a otoneurologia é a área da otorrinolaringologia que se dedica às tonturas e transtornos do equilíbrio corporal e da audição. E também suas relações com o sistema nervoso central e periférico. Patricia Mano é especialista em otoneurologia pela USP e trabalha junto com sua equipe multidisciplinar com a reabilitação auditiva e vestibular personalizadas.

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“É sabido que a perda auditiva está relacionada com a maior incidência de depressão e demência na população idosa. Quedas são uma importante causa de internação hospitalar nessa população, podendo acarretar diversas outras patologias subsequentes à internação prolongada e à necessidade de permanecer acamado durante a recuperação”, afirma.

O objetivo do otoneurologista é tratar preventivamente esses casos, melhorando a qualidade de vida do paciente. Tonturas, vertigens e desequilíbrios são sinais de que o sistema vestibular não anda bem. Náuseas, vômitos, palidez, sudorese, taquicardia, sensação de desmaios, zumbido e até mesmo quedas também são sintomas que denunciam algum problema no órgão. Na avaliação otoneurológica, o paciente é visto como um todo, com ênfase nos sistemas auditivo e o vestibular. Tudo para identificar qualquer alteração ou doença que possa estar prejudicando o equilíbrio corporal.

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O que é a Reabilitação do equilíbrio?

A Reabilitação do Equilíbrio (RE) é um dos métodos de tratamento otoneurológico com grande aceitação na literatura internacional. Seus resultados favoráveis têm sido evidenciados em inúmeras pesquisas. Ela baseia-se em exercícios específicos e repetitivos, que visam ativar os mecanismos de plasticidade neural do sistema nervoso central, buscando a compensação vestibular. Assim, o individuo será capaz de realizar da melhor maneira possível as atividades do dia a dia a que estava acostumado antes de sofrer tonturas.

A RE age fisiologicamente sobre o sistema do equilíbrio como um todo e se baseia nos mecanismos centrais de neuroplasticidade. São eles: Adaptação (capacidade do sistema nervoso central de se ajustar frente às disfunções vestibulares/labirínticas); Habituação (redução progressiva das respostas com estimulação repetitiva); e Substituição (transferência da importância de uma determinada entrada sensorial para outra a fim de restaurar a função do equilíbrio).

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A disfunção vestibular pode ocorrer em qualquer faixa etária, mas assume particular importância na população idosa. O aumento da idade é diretamente proporcional à presença de múltiplos sintomas otoneurológicos, como vertigem, desequilíbrio, perda auditiva, zumbido, distúrbios da marcha e quedas ocasionais.

O controle postural pode sofrer influências decorrentes das alterações fisiológicas do envelhecimento, doenças crônicas, interações farmacológicas e disfunções específicas. O processo de envelhecimento afeta todos os componentes do controle postural, como sensorial (visual, proprioceptivo e vestibular), efetor (força, amplitude de movimento, alinhamento biomecânico e flexibilidade) e processamento central. A integração dos vários sistemas sob o comando central é fundamental para o bom funcionamento do equilíbrio corporal.

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Paciente reconquista seu equilíbrio

As síndromes otoneurológicas mais frequentes encontradas na população idosa são a Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB), as labirintopatias vasculares, as metabólicas, a Presbivertigem/Presbiacusia e as síndromes cervicais. Ainda a polimedicação e a desidratação são importantes causas de quedas em idosos.

A Reabilitação do Equilíbrio foi criada na Inglaterra em 1946 pelo médico Cawthorne e o fisioterapeuta Cookey. Foi implantada no Brasil há duas décadas. Ao longo do tempo, a técnica passou por várias melhorias. Mas seu objetivo permanece: o de restabelecer o equilíbrio do paciente, permitindo que realize os movimentos que estava acostumado a fazer antes de surgir a vertigem.

É um processo terapêutico moderno. Através da indução da neuroplasticidade no SNC, acelera os mecanismos de compensação central. Leva à recuperação funcional dos desequilíbrios corporais. A RE é uma terapêutica eficaz no controle dos sinais e sintomas das vestibulopatias. Possibilita melhoras no equilíbrio, redução da incidência de quedas, melhora da função cognitiva e aumento significativo na qualidade de vida desses pacientes.

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